“BOSS” é preso em maceió e polícia revela esquema de tráfico que teria movimentado R$ 70 milhões
Fonte: GazetaWeb
9/22/20264 min read




Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro ganhou novos desdobramentos após a prisão, em Maceió, de um homem apontado pelas autoridades como uma das peças estratégicas de um esquema de tráfico de drogas que teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões. A prisão ocorreu durante a Operação Ícarus, que investiga uma organização criminosa com atuação interestadual e que, segundo a polícia, envolvia integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em São Paulo, e do Comando Vermelho, o CV, no Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações, o suspeito, conhecido como “Boss”, teria exercido a função de elo entre integrantes das duas organizações criminosas. A Polícia Civil afirma que ele seria responsável por articular a comunicação entre os grupos e organizar a logística utilizada para o transporte de drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
Mesmo vivendo em Maceió, o homem continuaria, segundo a investigação, exercendo atividades relacionadas ao esquema. Ele estaria morando havia aproximadamente dois anos em um apartamento de luxo localizado no bairro da Jatiúca, em Maceió. A polícia afirma, porém, que não há indicação de que ele atuasse diretamente no tráfico de drogas na capital alagoana. A cidade teria sido utilizada principalmente como local de residência enquanto ele mantinha as atividades investigadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O delegado Igor Diego, da Polícia Civil de Alagoas, explicou que o suspeito já era considerado foragido da Justiça e possuía dois mandados de prisão em aberto. Um deles estava relacionado à recaptura do homem, que havia fugido de uma penitenciária onde cumpria pena. O segundo mandado estaria relacionado a investigações envolvendo organização criminosa e tráfico de drogas.
Segundo o delegado, a investigação apontou que o suspeito teria uma função considerada estratégica dentro da organização. Ele seria responsável por estabelecer a ligação entre integrantes do Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, e membros do PCC, em São Paulo. A partir dessa articulação, conforme a polícia, teria participado da organização necessária para transportar cocaína de São Paulo e abastecer comunidades no Rio de Janeiro.
A investigação também aponta para a existência de uma estrutura empresarial utilizada para dar suporte às atividades criminosas. Segundo a delegada Juliana Rattes, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, empresas registradas em nome de terceiros, chamados de “laranjas”, teriam sido utilizadas na estrutura investigada.
Ainda conforme a polícia, o suspeito teria participado da contratação de motoristas e de empresas de transporte que eram utilizadas para movimentar as cargas. Transportadoras teriam sido empregadas para ocultar as drogas durante os deslocamentos entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Outro ponto investigado é a possível participação de policiais militares no esquema. De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, alguns agentes seriam responsáveis pela escolta das cargas durante o trajeto. A suspeita é de que essa estrutura de segurança teria como objetivo permitir que os carregamentos chegassem ao destino sem serem interceptados pelas forças de segurança.
A investigação, que já durava cerca de dois anos, ganhou força após grandes apreensões de drogas realizadas em 2024. Entre os casos analisados pelas autoridades está uma apreensão realizada em Guarulhos, em São Paulo. A partir da análise das operações, dos envolvidos e da movimentação relacionada às cargas, os investigadores teriam conseguido identificar a estrutura do grupo e chegar ao suspeito localizado em Maceió.
A Operação Ícarus cumpriu 20 mandados de prisão. Entre os alvos estavam pessoas que já se encontravam presas e que, segundo a investigação, mesmo atrás das grades continuariam desempenhando funções dentro da organização criminosa. Também foram presos policiais militares suspeitos de participação no esquema.
A prisão realizada em Maceió contou com a atuação integrada das forças policiais. O objetivo foi localizar o suspeito que, apesar de estar vivendo em Alagoas, permanecia sendo procurado pela Justiça e era investigado pela participação na estrutura criminosa.
Com a prisão, os investigadores agora buscam aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo, a utilização das empresas, a participação de motoristas e transportadoras e o possível envolvimento de outros integrantes na organização.
Segundo a investigação, o esquema teria movimentado cerca de R$ 70 milhões. A cifra é atribuída ao conjunto das atividades investigadas e representa uma das principais linhas de apuração da operação, que busca identificar como os recursos eram movimentados, quem se beneficiava financeiramente e quais empresas e pessoas eram utilizadas para ocultar a origem dos valores.
A Polícia Civil continua investigando a participação individual de cada suspeito e busca identificar outras pessoas que possam ter integrado ou dado suporte à organização. As autoridades também deverão analisar documentos, aparelhos celulares, registros financeiros e outros materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
O caso chama atenção pela dimensão interestadual da investigação e pela localização de um dos suspeitos em Maceió. Segundo as autoridades, a atuação investigada ultrapassava os limites de um único estado e envolvia uma estrutura organizada para transporte de drogas, contratação de empresas e motoristas, movimentação financeira e, conforme a apuração policial, possível apoio para garantir a passagem das cargas.
As investigações seguem em andamento e a Polícia Civil deverá apresentar novos detalhes à medida que os materiais apreendidos sejam analisados e novos envolvidos sejam identificados.
FONTE: GazetaWeb


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