Brasil vai testar 1ª vacina de mRNA em humanos e mira usar a tecnologia contra câncer e outras doenças
Fonte: G1 - SAÚDE
9/2/20262 min read




Brasil vai testar 1ª vacina de mRNA em humanos e mira usar a tecnologia contra câncer e outras doenças
Imunizante 100% nacional desenvolvido pela Fiocruz marca conquista de soberania tecnológica e abre portas para criação de terapias genéticas e tratamentos oncológicos no país.
O Brasil deu um passo histórico para a ciência nacional. O país iniciará os testes em humanos da sua primeira vacina desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) de fabricação 100% brasileira. A validação clínica do imunizante abre uma nova fronteira para o desenvolvimento de tratamentos avançados no país, incluindo pesquisas com vacinas contra o câncer e terapias genéticas.
O imunizante foi criado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e, embora a formulação atual seja voltada contra o coronavírus, o grande marco da pesquisa é a confirmação de que os cientistas brasileiros dominaram toda a cadeia de produção da plataforma de mRNA.
Como funciona a tecnologia
Diferente das vacinas tradicionais que utilizam proteínas prontas ou o vírus enfraquecido para gerar imunidade, a vacina de mRNA injeta apenas uma instrução genética nas células. O corpo reconhece a proteína produzida por essa instrução como uma ameaça e desenvolve anticorpos e defesas, ficando preparado para reagir contra o invasor verdadeiro.
A grande vantagem desse mecanismo é a flexibilidade: trocando apenas a "mensagem" entregue à célula, é possível adaptar a vacina para enfrentar outras doenças e até mutações genéticas.
De olho na cura do câncer
Com o domínio do RNA mensageiro, cientistas brasileiros pretendem acelerar estudos que já estão sendo feitos globalmente e nacionalmente, como o desenvolvimento de versões da terapia CAR-T baseadas em mRNA. Essa técnica, que treina as próprias células de defesa do paciente para atacar tumores, poderia ter seu processo simplificado com a tecnologia brasileira, dispensando a necessidade de modificar células fora do corpo do paciente.
Para a pesquisadora da Fiocruz, Patrícia Neves, o avanço tecnológico muda o posicionamento científico do país. "Desenvolvemos tudo que era necessário para o país ter seu primeiro produto nacional com mRNA e isso muda o jogo. Agora, podemos ser transferidores de conhecimento e de tecnologia", afirma a cientista. Segundo ela, a inovação também traz um impacto importante na cooperação do Brasil com as nações do Sul Global.
Fonte: G1


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